sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Retalhos



Ás vezes, somente ás vezes, eu tenho vontade de ser imensamente feliz. É uma diferente vontade, ou uma vontade diferente, mas o fato é que é uma vontade amável e perfeita.
Meus lados me mostram que preciso ser feliz. Mas ao mesmo tempo que quero, me desespero, pois o que quero ainda não tem nome, e nessa sede eu não consigo saciar-me.
Oh Deus! Eu quero ser feliz!
Quero viajar, conhecer novos lugares, não ter tantas obrigações. Quero ler e escrever sem me preocupar com as horas.
QUERO VIVER INTENSAMENTE.
Mas no fundo, no fundo eu sei. Eu vou ser feliz. Mesmo que a felicidade seja momentânea, eu vou ser feliz.
Pois a felicidade muitas vezes é escolha.
Então eu serei feliz.

Só não me deixe, Oh Deus, esperar eternamente pelo amanhã. Me ajude a ser feliz hoje. Mesmo que de retalhos eu esteja vivendo. 


segunda-feira, 6 de julho de 2015

Rascunhos invisíveis


Existem pessoas que são invisíveis. Elas estão lá sabe, mas você não as vê. E é interessante porque elas estão nas ruas, nos bares e talvez em sua própria casa.
É algo notável, mesmo que contraditório. E você finge não enxerga-las.
Você vira a cabeça, fecha os olhos, e quando falam, finge não escutar.
Eu volto a dizer: Elas existem!
Pode ser aquele mendigo que somente com os olhos te cobra atenção, aquele bêbado que quer tua misericórdia, ou os idosos que você conhece.
São eles classificados como invisíveis. E pior em um grau menos “rascunhos invisíveis”.
Calma! Algo ainda pode ser feito. Aquele teu olhar esperançoso, aquela tua eterna alegria, pode torna-los visíveis.
Não se esqueça: Mesmo sendo visíveis, estas pessoas morrem.
Mas no final não são elas que se desfalecem no pó, e sim teu coração de cristão!
Vá! Ainda dá tempo.  

Samarah Gomes Bibiano



sábado, 4 de julho de 2015

Homenagem a todos os padeiros e trabalhadores do Brasil.


Era cedo. Bem cedo. Pra ser exata, na faixa das quatro horas da manhã. Um padeiro saia de sua casa, em direção ao seu local de trabalho: uma pequena padaria no norte da cidade.
Fazia frio. Havia chovido a pouco tempo e o chão estava úmido. O padeiro bambeava e bambeava em sua velha bicicleta branca. Respingos de lama sujavam sua calça, que já estava surrada pelo uso.
E pedalava orando. Pedindo a Deus que nesse dia sua misericórdia fosse derramada, e sua vida restaurada.
Era um homem de fé. Mesmo diante das dificuldades, não desistia de orar.
Ás vezes dizia que amava fazer pão, outras vezes dizia que  era padeiro, porque não se tinha outra coisa para se fazer. Coisa de louco.
Mas era um homem bom, um homem de . Em casa tinha uma família. Sua esposa e seu pequeno filho, que a pouco completou um ano de idade.
João, Pedro, Paulo, José. Qual era mesmo teu nome? Ah sim. Seu nome era José Marques.
E ele sempre pensava, andando em sua bicicleta branca. E um desses pensamentos era: “Garanto o pão para centenas de pessoas, mas meu foco é garantir o leite para o meu filho. Eu te amo Júnior. “

Samarah Gomes Bibiano




terça-feira, 30 de junho de 2015

Complementos - Conto




De imediato ela corou. Fechou os olhos e resolveu sorrir. Pois ele a olhava.
Quando abriu os olhos, ele ainda a observava. Suplicando sua atenção.
Aquela garota era perfeita aos teus olhos.
Não se conheciam. Apenas ficavam em bancos opostos no intervalo do colégio. Ali, bem ali, sozinhos e solitários.
Ambos estavam eufóricos.  Um garoto e uma garota na puberdade. As mãos suavam, a barriga em eternos barulhos e o coração disparado.
Ela então começou a se aproximar dele. Impulsiva, futura mulher.  E resolveu quebrar o silencio. Abriu a boca e ...
... ah!
Ela se esqueceu! A pobre garota não falava. Ela era muda.
Sem poder conter, chorou. Aquele era o primeiro dia em anos que ela esquecera.
Quão idiota! – Ela pensava.
O garoto então tomou forças. Levantou as mãos e fez um gesto que só mudos entendem.
E abriu a boca...
... ah!
Ela então soube.
Ele também não falava.
Depois disso nada mais importava e os dois sorriram.  Aquela felicidade complexa e simples, mas perfeita, existia.
Ambos não tinham voz. Não podiam falar, cantar, fofocar. Mas muitos nesse mundo não têm coração.
E ambos tinham.
A falta de voz, não foi obstáculo para o garoto gesticular: “Eu amo os teus olhos”.







Samarah Gomes Bibiano


Resenha do livro Princesa adormecida - Paula Pimenta


(Releitura do conto de fadas da Bela adormecida).


Sobre este livro, (acho que só vendo o título), toda garota sonha ser uma princesa.
Sonha ser linda, delicada, encantada e admirada. Até ai, perfeito. O problema é que hoje as garotas se esquecem que, para serem princesas, precisam se comportar como uma. Precisam querer ser princesa, de verdade. Precisam amar, respeitar, e serem educadas.
E quando esta princesa adormece? 
Quando esta princesa adormece não existe futuro, nem presente.
Nem menina, nem mulher, nem princesa.
Uma princesa hoje não pode adormecer, pois os príncipes não estão mais nos, nossos sonhos, e sim em nossa realidade.
Só basta abrir os olhos.
Isto. Abra.


Bom, eu gosto muito dos livros da Paula Pimenta, e esse não foi diferente. Ela é dinâmica, carismática ao escrever e criar histórias e esse livro, por ser tão envolvente, você lê com um dia.

Espero que gostem!

Texto - Casulos

Casulos


Sou uma lagarta. E um dia me transformarei em borboleta.
O fato é que esta lagarta quer ser águia, outras vezes camaleão, e outras vezes leoa.
Mas EU SOU UMA LAGARTA.
E eu não posso mudar isso.
As vezes tenho medo do que posso ser. Talvez essa lagarta vire águia, quem vai saber? Todos nós, vivemos em um casulo. E nada se pode ver dentro de um casulo.
Vivo em uma ilha. Uma ilha dentro de mim mesmo, e a melhor companhia é a realidade.
O que é real? O que é falso? O que são os sonhos?
Real é a vida. Falso o pecado. Os sonhos, as almas.
O que você é, você é. Você é, o que você pode ser.
Pode uma escritora, se transformar em medica? Ou dentista?
Me refiro a essência, e não superficialismo,
Em minha ilha, permanece um lápis e um papel. Meus instrumentos perfeitos.
Não sei se uma lagarta pode se transformar em águia. Realmente eu não sei. Mas acho que não.
E mesmo que a genética supere a si mesma, e de alguma forma isto ocorra, um dia aquela lagarta sentira falta de ser borboleta.
Irá querer suas asas coloridas, simplicidade no voo, beleza e enfim amara sua essência.
E nesse dia eu fecharei a porta do meu quarto. Fecharei minha ilha. Fecharei meus olhos.
E vou escrever. Vou voltar a respirar.
Porque quem nasceu para ser borboleta, será borboleta.
 E nenhum casulo, pode impedir isto.