terça-feira, 30 de junho de 2015

Texto - Casulos

Casulos


Sou uma lagarta. E um dia me transformarei em borboleta.
O fato é que esta lagarta quer ser águia, outras vezes camaleão, e outras vezes leoa.
Mas EU SOU UMA LAGARTA.
E eu não posso mudar isso.
As vezes tenho medo do que posso ser. Talvez essa lagarta vire águia, quem vai saber? Todos nós, vivemos em um casulo. E nada se pode ver dentro de um casulo.
Vivo em uma ilha. Uma ilha dentro de mim mesmo, e a melhor companhia é a realidade.
O que é real? O que é falso? O que são os sonhos?
Real é a vida. Falso o pecado. Os sonhos, as almas.
O que você é, você é. Você é, o que você pode ser.
Pode uma escritora, se transformar em medica? Ou dentista?
Me refiro a essência, e não superficialismo,
Em minha ilha, permanece um lápis e um papel. Meus instrumentos perfeitos.
Não sei se uma lagarta pode se transformar em águia. Realmente eu não sei. Mas acho que não.
E mesmo que a genética supere a si mesma, e de alguma forma isto ocorra, um dia aquela lagarta sentira falta de ser borboleta.
Irá querer suas asas coloridas, simplicidade no voo, beleza e enfim amara sua essência.
E nesse dia eu fecharei a porta do meu quarto. Fecharei minha ilha. Fecharei meus olhos.
E vou escrever. Vou voltar a respirar.
Porque quem nasceu para ser borboleta, será borboleta.
 E nenhum casulo, pode impedir isto.





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