sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Para os dias ruins.


Tem dia na vida da gente que parece que é noite. Nada dá certo, você apanha, cai e levanta. Apanha da vida, porque esta ama ensinar, cai porque é natural do ser humano e levanta porque você não tem o direito nem de ficar deitado no chão depois da queda.
É meio clichê, mas nos altos e baixos da vida estar no chão é pegar impulso na subida. É levantar e não ter a vergonha se alguém estiver olhando. Porque hoje você caí, mas amanhã você levanta.
Acredite em mim, há aquele dia que o céu é azul. Que tudo está bom, que tudo conspira a seu favor. As pessoas retribuem seus sorrisos na rua, o seu trabalho não tem nenhum problema, o seu dinheiro ainda não acabou. Neste dia você sente satisfação e felicidade por estar aqui.
E quando aquele dia ruim vem nos desesperamos. Estar no chão não nos permite ver a solução, apenas enxergar o sujo, o pó.
Tome cuidado com seus dias ruins. Não deixe que ele domine você, seus sonhos, suas esperanças.
Tome cuidado com sua raiva, ela pode espantar por muito tempo a alegria do seu coração.
Pegue impulso para levantar. Não olhe para os lados, olhe para dentro de você.
Seja humilde e não humilhe ninguém, pois só quem é humilde merece ter dias de paz. Porque pela humildade se obtém uma felicidade constante: - A de ser sol e brilhar, quando o dia insistir para ser lua trazendo a escuridão.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Acalento uterino ll


O ser nasce. Sutilmente e aos poucos começa a abrir os olhos, mas primeiramente chora. Chora porque sente frio, um frio eterno. Um frio da ausência do útero da mãe.
E mesmo sendo pequeno, inocente, criança, ele já sabia que a ausência do calor do útero que ele estava sentindo o acompanharia permanentemente até o fim de sua vida.
Aos poucos se acalma. Talvez seja as mãos habilidosas da enfermeira, mas creio que seja a presença da mãe, pois esta sempre acalma.
Todos ao redor ficam felizes, radiantes e curiosos. Já se falam em planos para aquele ser que acabou de nascer.
Será advogado?
Não! Será médico, e cuidara da vovó quando ela passar mal.
Suas mãos pequenas, dedinhos pequenos, querem tocar o mundo, o céu. Porque mesmo ainda não entendendo nada, está encantado com a vida, com a realidade.
Mas quem, quem não se encanta com a vida? Quem não chora de felicidade, de ansiedade, quem não se surpreende no amor?
Aquele que já morreu e continua vivo.
Pois a vida meu caro é para quem sente saudade do útero da mãe, mas mesmo assim quer tocar o mundo, o céu.
A vida é para quem não reclama porque veio e simplesmente, aceita o fato de ter ultrapassado mais de 300 milhões de espermatozoides.
A vida também é para quem sabe chorar, para quem consegue abrir os olhos diante das dificuldades.
A vida é para você. Esse ser esplêndido, maravilhoso e pulsante que escolhe todos os dias viver e não apenas existir. Escolhe abrir os olhos e nascer.
Não se esconda serzinho. Não queira ficar para sempre no útero de sua mãe. Eu te garanto que o abraço dela é bem mais aconchegante que o útero, e o sorriso, há o sorriso, nem tenho palavras pra expressar.
Ela sorri pra você agora. Está olhando seus olhos azuis e mesmo você sendo a cara do papai, ignora o ciúme pois você sempre a procura quando quer dormir. 
E ela te nina, até você aceitar que o mundo também é um útero materno, se você for um cidadão de paz.




quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Acalento Uterino


Aquele espermatozoide fecunda o óvulo. É algo mágico mesmo que já tenha acontecido mais de sete bilhões de vezes. Mesmo sendo de tamanho insignificante, e de existência questionada a criatura já se manifesta feliz e no ventre de sua mãe repousa paciente e calmo.
Ali, bem ali, no seu mundinho se encontra a paz. Não há dias ruins, medo ou insegurança. Ali se encontra ternura, afeição e amor.
Algumas semanas se passam e ás vezes aquele pequenino ser escuta as batidas do coração de sua mamãe. Aquelas batidas são mais apaixonantes que as músicas do Djavan.
Não vive em um útero materno, se encontra no paraíso.
Porém um dia aquele serzinho se desprende. Seu mundinho acaba. No Desespero ele se encontra, conhecendo o medo e a aflição.
Ali havia uma pequena artéria. Mais adiante haveria um coração. Um coração que bateria harmonicamente igual ao da mãe.
E então ele se afunda. Para de sonhar. Respirar. O pequenino ser morre.
Sua mamãe sente algo. Percebe um sangramento. Uma dor, solidão talvez. E chora, chora alto.
Papai vem até mamãe. Pergunta o que há, e pelo olhar dela, entende. Um aborto espontâneo.
Agora ambos choram.
_ Nem todos os dias hão de ser felizes – Ele diz.
_ Eu só precisaria de um dia – Ela completa.
Mas naquele mundinho, o fim não poderia ser assim. O serzinho deveria deixar algo para sua mamãe, algo que a acalmasse.
E então uma paz preenche o coração daquela mãe. Estava serena e forte, como a muito não sentia.
Um sorriso aparece na mulher.
O para muitos inútil serzinho deixou uma mensagem para aquela mãe: ­” Eu lutaria de novo, correria de novo, para escutar as batidas do seu coração. Eu não morri, eu transbordei no seu amor. “

(Dedicado a todas as mães que perdem seus filhos, independentemente se eram nascidos ou não).


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Promessas da manhãzinha



Já vi pessoas saírem das cinzas elegantemente. Elas sofrem, sofrem, sofrem e sem perceber começam a voar. Como águias.
A dor vira mestre, e retorna em aprendizado. Em um momento estão frágeis e inúteis, e no outro, radiantes.
Essas pessoas deixaram a dor ensina-las. Dançaram e riram de sua própria desgraça.
E magnificamente no outro dia, venderam suas lagrimas em uma crônica para um jornal.
E cresceram e amaram a si.
Porque quando sofremos aprendemos a nos amar mais. Já não é mais egoísmo, é amor próprio. É aceitar farpas, é aprender com as águias.
É viver nas loucuras. Esquecer-se do errado ou do certo.

Porque quem se aceita nas cinzas, permanece no sol. E a cada manha retorna a sua promessa matinal. A promessa de jamais deixar de sorrir se tristemente as cinzas voltarem. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Retalhos



Ás vezes, somente ás vezes, eu tenho vontade de ser imensamente feliz. É uma diferente vontade, ou uma vontade diferente, mas o fato é que é uma vontade amável e perfeita.
Meus lados me mostram que preciso ser feliz. Mas ao mesmo tempo que quero, me desespero, pois o que quero ainda não tem nome, e nessa sede eu não consigo saciar-me.
Oh Deus! Eu quero ser feliz!
Quero viajar, conhecer novos lugares, não ter tantas obrigações. Quero ler e escrever sem me preocupar com as horas.
QUERO VIVER INTENSAMENTE.
Mas no fundo, no fundo eu sei. Eu vou ser feliz. Mesmo que a felicidade seja momentânea, eu vou ser feliz.
Pois a felicidade muitas vezes é escolha.
Então eu serei feliz.

Só não me deixe, Oh Deus, esperar eternamente pelo amanhã. Me ajude a ser feliz hoje. Mesmo que de retalhos eu esteja vivendo. 


segunda-feira, 6 de julho de 2015

Rascunhos invisíveis


Existem pessoas que são invisíveis. Elas estão lá sabe, mas você não as vê. E é interessante porque elas estão nas ruas, nos bares e talvez em sua própria casa.
É algo notável, mesmo que contraditório. E você finge não enxerga-las.
Você vira a cabeça, fecha os olhos, e quando falam, finge não escutar.
Eu volto a dizer: Elas existem!
Pode ser aquele mendigo que somente com os olhos te cobra atenção, aquele bêbado que quer tua misericórdia, ou os idosos que você conhece.
São eles classificados como invisíveis. E pior em um grau menos “rascunhos invisíveis”.
Calma! Algo ainda pode ser feito. Aquele teu olhar esperançoso, aquela tua eterna alegria, pode torna-los visíveis.
Não se esqueça: Mesmo sendo visíveis, estas pessoas morrem.
Mas no final não são elas que se desfalecem no pó, e sim teu coração de cristão!
Vá! Ainda dá tempo.  

Samarah Gomes Bibiano



sábado, 4 de julho de 2015

Homenagem a todos os padeiros e trabalhadores do Brasil.


Era cedo. Bem cedo. Pra ser exata, na faixa das quatro horas da manhã. Um padeiro saia de sua casa, em direção ao seu local de trabalho: uma pequena padaria no norte da cidade.
Fazia frio. Havia chovido a pouco tempo e o chão estava úmido. O padeiro bambeava e bambeava em sua velha bicicleta branca. Respingos de lama sujavam sua calça, que já estava surrada pelo uso.
E pedalava orando. Pedindo a Deus que nesse dia sua misericórdia fosse derramada, e sua vida restaurada.
Era um homem de fé. Mesmo diante das dificuldades, não desistia de orar.
Ás vezes dizia que amava fazer pão, outras vezes dizia que  era padeiro, porque não se tinha outra coisa para se fazer. Coisa de louco.
Mas era um homem bom, um homem de . Em casa tinha uma família. Sua esposa e seu pequeno filho, que a pouco completou um ano de idade.
João, Pedro, Paulo, José. Qual era mesmo teu nome? Ah sim. Seu nome era José Marques.
E ele sempre pensava, andando em sua bicicleta branca. E um desses pensamentos era: “Garanto o pão para centenas de pessoas, mas meu foco é garantir o leite para o meu filho. Eu te amo Júnior. “

Samarah Gomes Bibiano