O ser nasce. Sutilmente e
aos poucos começa a abrir os olhos, mas primeiramente chora. Chora porque sente
frio, um frio eterno. Um frio da ausência do útero da mãe.
E mesmo sendo pequeno,
inocente, criança, ele já sabia que a ausência do calor do útero que ele estava sentindo o
acompanharia permanentemente até o fim de sua vida.
Aos poucos se acalma. Talvez
seja as mãos habilidosas da enfermeira, mas creio que seja a presença da mãe,
pois esta sempre acalma.
Todos ao redor ficam
felizes, radiantes e curiosos. Já se falam em planos para aquele ser que acabou
de nascer.
Será advogado?
Não! Será médico, e cuidara
da vovó quando ela passar mal.
Suas mãos pequenas, dedinhos
pequenos, querem tocar o mundo, o céu. Porque mesmo ainda não entendendo nada, está
encantado com a vida, com a realidade.
Mas quem, quem não se
encanta com a vida? Quem não chora de felicidade, de ansiedade, quem não se
surpreende no amor?
Aquele que já morreu e
continua vivo.
Pois a vida meu caro é para
quem sente saudade do útero da mãe, mas mesmo assim quer tocar o mundo, o céu.
A vida é para quem não reclama
porque veio e simplesmente, aceita o fato de ter ultrapassado mais de 300 milhões
de espermatozoides.
A vida também é para quem
sabe chorar, para quem consegue abrir os olhos diante das dificuldades.
A vida é para você. Esse ser
esplêndido, maravilhoso e pulsante que escolhe todos os dias viver e não apenas
existir. Escolhe abrir os olhos e nascer.
Não se esconda serzinho. Não
queira ficar para sempre no útero de sua mãe. Eu te garanto que o abraço dela é
bem mais aconchegante que o útero, e o sorriso, há o sorriso, nem tenho
palavras pra expressar.
Ela sorri pra você agora. Está
olhando seus olhos azuis e mesmo você sendo a cara do papai, ignora o ciúme pois
você sempre a procura quando quer dormir.
E ela te nina, até você aceitar que o
mundo também é um útero materno, se você for um cidadão de paz.

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