De imediato ela corou. Fechou
os olhos e resolveu sorrir. Pois ele a olhava.
Quando abriu os olhos, ele
ainda a observava. Suplicando sua atenção.
Aquela garota era
perfeita aos teus olhos.
Não se conheciam. Apenas ficavam
em bancos opostos no intervalo do colégio. Ali, bem ali, sozinhos e solitários.
Ambos estavam eufóricos. Um garoto e uma garota na puberdade. As mãos suavam,
a barriga em eternos barulhos e o coração disparado.
Ela então começou a se
aproximar dele. Impulsiva, futura mulher. E resolveu quebrar o silencio. Abriu a boca e
...
... ah!
Ela se esqueceu! A pobre
garota não falava. Ela era muda.
Sem poder conter, chorou.
Aquele era o primeiro dia em anos que ela esquecera.
Quão idiota! – Ela pensava.
O garoto então tomou forças.
Levantou as mãos e fez um gesto que só mudos entendem.
E abriu a boca...
... ah!
Ela então soube.
Ele também não falava.
Depois
disso nada mais importava e os dois sorriram. Aquela felicidade complexa e simples, mas
perfeita, existia.
Ambos
não tinham voz. Não podiam falar, cantar, fofocar. Mas
muitos nesse mundo não têm coração.
E ambos
tinham.
A
falta de voz, não foi obstáculo para o garoto gesticular: “Eu amo os teus olhos”.
Samarah
Gomes Bibiano


